segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

O que achei: Pequenos incêndios por toda parte, Celeste Ng

Shaker Heights é uma cidade em Ohio onde tudo é planejado, as casas, as ruas, as escolas e as famílias. Quando Mia, que nunca criou raízes em lugar nenhum, decide ficar lá permanentemente com sua filha Pearl (na casa da Sra.Richardson, como inquilina), as coisas começam a mudar.
Os quatro adolescentes Richardson e Pearl se tornam muito próximos (alguns mais que outros) e o passado misterioso de Mia acende uma faísca na experiente (porém acomodada) jornalista Sra. Richardson. 

"Para o pai ou a mãe, um filho não é só uma pessoa: um filho é um lugar, tipo Nárnia, um vasto e eterno local onde o presente que se está vivendo, passado de que se lembra e o futuro pelo qual se anseia coexistem. "




Essa é uma história basicamente sobre dramas familiares, temas como ciúme entre irmãos, proteção excessiva dos pais e rebeldia na adolescência são tratados nessa história, mas também são abordados assuntos mais sérios, como xenofobia e planejamento familiar (incluindo aborto e barriga de aluguel).
A narrativa é um tanto confusa, eu fiquei com a sensação de que todos os personagens narram tudo ao mesmo tempo, os pontos de vista vão mudando e é preciso estar bem atento para não perder os detalhes, na  edição que eu li (e-book) o livro tem 192 páginas, e posso dizer que até a metade do livro eu ainda não tinha entendido muito bem sobre o que era a história, o fato de a história ser trabalhada em cima de uma metáfora (os pequenos incêndios por toda parte) também não ajuda (e ao mesmo tempo torna o título e a forma como esse elemento  é usado dentro da história genial).
Acredito que esse é um daqueles livros que precisa ser lido mais de uma vez para ser entendido, mas eu com certeza não vou repetir essa leitura. Esse livro não foi pra mim, sério, considero meu ritmo de leitura rápido, mas eu me arrastei muuuuuito durante essas quase duzentas páginas e quando ainda faltavam cerca de sessenta páginas considerei (seriamente) abandonar a leitura, mas eu insisti porque precisava saber se algo (alguma coisinha que seja) iria acontecer em Shaker Heights. 
Agora, depois de ter acabado o livro durante a madrugada, ter dormido e refletido, sei que valeu a pena.

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As últimas páginas são sensacionais, ao mesmo tempo em que vemos a Elena julgando da pior forma possível todos os passos da Mia (sobra até para a Pearl) conseguimos ver a explicação por trás de todas as atitudes dela (da Mia) e dói ver o quanto um julgamento errado pode quebrar uma pessoa. 
A lição de "Pequenos incêndios por toda parte" que ficou para mim foi de que ninguém conhece ninguém, as vezes julgamos uma pessoa por seu modo de se vestir, pelo seu estilo de vida, seu humor e suas escolhas mas nós não sabemos o que está por trás de tudo isso, nós nunca sabemos as batalhas que os outros estão travando e ás vezes a gente entende tudo errado, distorcemos (Oi Elena) completamente a história de alguém simplesmente porque não sabemos todos as versões (muitas vezes não nos interessamos em saber). 
Eu gostei desse livro, apesar dos pesares, mas não amei (não mesmo) e ele vai ganhar duas estrelas aqui no Camarguices.

"Lembre-se , dissera Mia, ás vezes é preciso queimar tudo e recomeçar. Depois de queimar, o solo fica mais rico e coisas novas podem crescer ali. As pessoas também são assim, sabe? Elas recomeçam. Dão um jeito."



Trechos de: Se não eu, quem vai fazer você feliz? Grazon

"Me conta uma coisa, e esse apelido? Por que Chorão?
'Foi um brother meu, o Bolota, de São Paulo, que começou a me chamar assim. Quando eu morava lá, tava sempre com uma galera mais velha que se reunia pra andar de skate embaixo da marquise do Ibirapuera. Sei lá, acho que eu reclamava muito e eles ficavam pegando no meu pé, falando pra eu parar de chorar. Mas quer saber a real? Eu sou emotivo pra caramba e choro mesmo'
Não acreditei muito no 'emotivo', mas depois, conforme a gente foi se conhecendo, pude constatar que era a mais pura verdade."



"Nossa! O seu cabelo é vermelho fluorescente!'. Ele se virou para mim, abriu um sorriso enorme e falou: 'você!'. Foi quando eu percebi que o cara do cabelo engraçado era o Alê, o Chorão."



"Para as coisas funcionarem direito era necessário que cada integrante entendesse o seu papel dentro do grupo, saber que estava no lugar certo e relaxar, mas isso não era  fácil. E uma coisa era inegável: o Alê era mesmo o líder. Na hora dos problemas, era ele quem quebrava a cabeça e achava as soluções. Estar nessa posição, ter que enfrentar conflitos constantemente, não era algo fácil. Mas faço questão de frisar que, apesar desse jeitão linha dura, o Alêxandre tinha um amor imenso por cada um dos integrantes da banda. Eram os seus companheiros, e ele fazia de tudo por eles. E tenho certeza de que eles sabem disso."

"Também existia algo muito importante nisso tudo: eu queria que ele se orgulhasse de mim. A meu ver, o amor anda de mãos dadas com a admiração, e eu tinha me transformado numa mulher que, nos últimos anos, só ficava em casa e cuidava das coisas dele. 
Bem diferente da Graziela que ele conheceu, independente e batalhadora. Aquele curso ajudou a resgatar tudo isso. Alguns anos depois, na minha formatura, ele estava lá, na primeira fila, me aplaudindo com aquele sorriso orgulhoso no rosto."




"O melhor da lua de mel foi perceber que não fazia muita diferença se estávamos em Miami, Nova York, Santos ou São Paulo. O grande  prazer era estar um do lado do outro, onde quer que fosse, agora casados, nos divertindo, experimentando coisas novas, descobrindo o mundo juntos."

"O vício trazia a tona seu lado mais sombrio. Ele ficava muito paranoico, tomado por pensamentos ruins o tempo todo. O ciúme de mim se tornou doentio e descontrolado."

"Falava que era muito doído cantar algumas músicas, como "Quinta-feira", sobretudo o refrão, 'parecia inofensiva mas te dominou', que era como se ele estivesse cantando para si mesmo."  



"Na madrugada do dia 5 para o dia 6 de março, eu tive um sonho estranho, no qual o Alexandre estava em pé diante de mim e atrás dele havia um vulto bem alto e escuro. Ele me dizia que iria viajar, que não aguentava mais e que precisava partir. E eu pedia a ele que ficasse, que não poderia me deixar sozinha. Mas ele insistia que tinha de ir embora. Despertei de repente, com o som da campainha tocando sem parar e batidas fortes na porta do meu apartamento. Quando abro, dou de cara com minha mãe e a Mariela, chorando.
-- O Alê, filha."



"Aprendi que não estamos no controle de nada, a não ser das nossas próprias escolhas, e que, a partir delas, podemos criar esta ou aquela realidade. Essa tomada de consciência não aconteceu de uma hora para outra. Tive várias crises intercaladas com momentos em que eu acreditava ter alcançado alguma paz. Mas percebi que esse processo é contínuo e individual. Não há uma fórmula pronta para fazer tudo ficar bem para sempre. Ao contrário: é uma busca constante, que exige muita atenção e carinho consigo mesmo."

"Hoje compreendo que só me tornei o que sou graças a tudo o que vivi. Acolho cada experiência com amor e gratidão eternos. Se um dia quis fugir da minha história, hoje a carrego como um estandarte, com muito orgulho."]




segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Camarguices indica: 3 Clássicos para ler nas férias!

O meu curso da graduação cobra muito de mim e eu não tenho tanto tempo quanto eu gostaria para me dedicar aos livros, porém, quando eu estou de férias, como agora, eu aproveito para ler bastante, pensando nisso eu resolvi indicar para vocês três clássicos que são bons para ler nas férias e que se correr dá tempo de ler tudo antes de fevereiro (que no meu caso é quando voltam as aulas), espero e aproveitem e boa leitura. 


1- Memórias Póstumas de Brás Cubas


Esse é o típico livro que você começa a ler por obrigação, literalmente, e acaba amando. Eu estava na época do vestibular e essa era uma leitura obrigatória da tão temida FUVEST, pois bem, comecei a ler cheia de marra, odiando cada palavra e de repente tudo mudou, mentira, na verdade o livro foi me ganhando aos pouquinhos e quando eu percebi estava amando e super envolvida com a história.
O livro vai contar a história do Brás Cubas, um cadáver autor e não um autor cadáver, que, por estar entediado, resolve contar a trajetória da sua vida, ele vai contar sobre seus privilégios, o meio em que vive (sempre muito irônico, faz diversas criticas a elite da época), seus amores e dissabores. 
E, ai, tudo nesse livro é maravilhoso, quando você entende o porquê do ritmo escolhido pelo autor tudo faz sentido, é sensacional e é justamente por conta desse ritmo de narrativa que eu aconselho que ele seja lido nas férias, você vai precisar, talvez, de um pouco mais de tempo para se apegar ao personagem e se adaptar ao fluxo narrativo e aproveitar essa história maravilhosa que inaugurou o Realismo aqui no Brasil pelo mestre Machado de Assis. 

"A franqueza é a primeira virtude de um defunto, pois na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças, obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência. "


“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.”



2- Lolita



AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH PORQUÊ EU NUNCA TINHA LIDO ESSE LIVRO ANTES? HEIN?
Eu li esse livro o ano passado e me arrependi (por vários motivos), muito, de não ter lido mais cedo (não tão mais cedo, vocês entenderam).
Vamos lá, esse clássico da literatura mundial vai contar a história do Humbert Humbert, desde a sua infância (onde conhecemos sua primeira "lolita", sim, houve uma antes!) até a vida adulta onde ele conhece a Dolores (uma criança de 12 anos) e narra a sua, paixão, doença e de como isso vai influenciar a vida das pessoas a sua volta. 
A todas as pessoas que assistiram ao filme, fica aqui registrado o meu apelo para que vocês leiam o livro, porque eles são muito diferentes e eu não acredito que alguém que após a leitura da obra ainda defenda esse tipo de relação. Outro ponto para quem vai ler: saiba que o Humbert Humbert não é um narrador confiável, ele está escrevendo esse livro em um julgamento (não sabemos ainda por qual crime) mas o fato é que ele escreve para justificar todos os seus atos, portanto, desconfie de tudo.
Além disso tudo, e de forma alguma menos importante, esse livro é lindo, apesar de tudo, poéticoVladimir Nabokov escreve de uma forma incrível, pode fazer o teste ai na sua casa, agora, pegue o livro e abre em qualquer página, leia um parágrafo qualquer e sinta, é lindo, qualquer frase dele dentro desse livro é poética e simplesmente linda. 


“Lolita, luz da minha vida, fogo da minha carne. Minha alma, meu pecado. Lo-li-ta: a ponta da língua toca em três pontos consecutivos do palato para encostar, ao três, nos dentes. Lo. Li. Ta.”

"Eu seria um hipócrita se dissesse - e o leitor um tolo se acreditasse- que o choque de perder Lolita me havia curado da pedofiliaMinha maldita natureza não podia mudar, por mais que mudasse meu amor por Lô."



3-  O Príncipe




Esse aqui é outro clássico da literatura nacional que todo mundo deveria ler, no mínimo, uma vez na vida, mas no atual cenário político brasileiro acredito que ele seja ainda mais importante. 
Nesse livro Maquiavel criou um manual de como os reis, segundo ele, deveriam se portar e traz diversos "guias de comportamento" com conselhos para que o reino prospere cada vez mais. 

"Chegamos assim à questão de saber se é melhor ser amado do que temido. A resposta é que seria desejável ser ao mesmo tempo amado e temido, mas que, como tal combinação é difícil, é muito mais seguro ser temido, se for preciso optar."


E ai, quando desses já leu? Te convenci a ler algum? 

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

19 livros para 2019

Eu gosto muito de fazer metas para o ano novo, há quem diga que é coisa boba, mas para mim elas fazem toda a diferença, me mantém com o "pé no chão" e focada, ajuda a lembrar quais são as prioridades e com os livros não é diferente, mas esse ano eu resolvi mudar o método, ao invés de colocar na lista de futuras leituras todos os livros que eu gostaria de ler naquele ano, eu coloquei apenas 19 (para 2019) e com um de bônus porque eu não consegui escolher nenhum para tirar da lista :D
O ano passado (que na verdade não passou ainda porque eu estou escrevendo esse post dia 26 de dezembro) foi bem produtivo, consegui ler quase todos os livros elencados para 2018 e foi muito gratificante, então vamos lá, esses são os meus escolhidos para 2019, quais são os de vocês? 



1. Amante sombrio, J R Ward

2. Para todos os garotos que já amei, Jenny Han 

3. Sherlock Holmes - O signo dos quatro,Sir Arthur Conan Doyle

4. Clube da luta. Chuck Palahniuk


5. Corte de Espinhos e Rosas, Sarah J

6. Pequenas Grandes Mentiras, Liane Moriarty


7.  Crise e reinvenção da política no Brasil, Fernando Henrique Cardoso


8. Impecáveis - PLL,  Sara Shepard

9. Não se iluda não,  Isabela Freitas


10. O fundo é apenas o começo, Neal Shusterman 


11. Todo dia, David Levithan


12. Pequenos incêndios por toda parte,  Celeste Ng


13. Vida liquida,  Zygmunt Bauman


14. O chamado Cuco, Robert Galbraith


15. Contrato social, Jean-Jacques Rousseau


16. Manifesto comunista, Karl MarxFriedrich Engels


17. Teoria geral do Direito, Hans Kelsen


18. Cartas a um jovem advogado,  Francisco Mussnich


19. Eles, os juízes, vistos por um advogado, Piero Calamandrei


20. Princesa de papel, Erin Watt



quarta-feira, 13 de junho de 2018

Trechos de: Lolita, Vladimir Nabokov

Após concluir essa leitura mais que polêmica, esses foram os trechos que mais me chocaram/impressionaram e que eu separei para postar aqui no blog.






"Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. 


"Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita."

"De repente, sobre nós se abateu uma paixão louca, desajeitada, impudica e agoniante; e também desesperada, caberia acrescentar, porque só teríamos podido saciar aquele furor de posse mútua se cada um de nós assimilasse a última partícula da alma e do corpo do outro."


"Quando tento analisar minhas ânsias, meus atos e motivos, entrego-me a uma espécie de devaneio retrospectivo do qual brota uma infinidade de alternativas, fazendo com que cada caminho visualizado se bifurque sem cessar na paisagem de alucinadamente complexa de meu passado. Porém, tenho como certo que, de alguma forma mágica e faral, lolita começou com Annabel."


"Mas sejamos recatadamente civilizados. Humbert Humbert fazia tudo o que podia para ser bom. Esforçou-se mesmo, com todo o empenho. Tinha o maior respeito pelas crianças comuns, com sua pureza e vulnerabilidade, e em circunstancia alguma atentaria contra a inocência de uma menina, caso houvesse o menor risco de encrenca. Mas como batia seu coração quando, no meio de um bando de inocentes, ele divisava algum pequeno demônio."






"Do pensamento de que por volta de 1950 teria de livrar-me sabe-se lá como de uma adolescente díficil, cuja mágica ninfescência se teria evaporado, ao pensamento de que, com sorte e paciência, eu poderia fazer com que ela eventualmente gerasse uma ninfeta que teria meu sangue correndo em suas delicadas veias, a Lolita II." 


"Eu seria um hipócrita se dissesse - e o leitor um tolo se acreditasse- que o choque de perder Lolita me havia curado da pedofilia. Minha maldita natureza não podia mudar, por mais que mudasse meu amor por Lô."


"Além, nada poderia fazer minha Lolita esquecer a imunda lascívia que eu lhe infligira. A menos que me seja provado - a mim como sou agora, hoje, com meu coração, minha barba e minha podridão - que nas dobras infinitas do tempo de nada importa que uma menina americana chamada Dolores Haze tenha sido privada de sua infância por um maníaco, a menos que isso possa ser provado (e, se puder, então a vida é uma piada), não vejo nenhuma cura para minha desgraça senão o paliativo melancólico, e de efeito muito local, da arte articulada." 


"Eu te amei. Era um monstruoso pentápode, mas como te amava.

Era desprezível, brutal, torpe - tudo isso e muito mais! E houve momentos em que sabia como você se sentia e era um inferno sabê-lo, minha menina querida. Minha pequena Lolita, minha corajosa Dolly Schiller!"

"Portanto nenhum de nós estará vivo quando o leitor abrir este livro. Mas, enquanto o sangue ainda pulsa nesta mão com quem escrevo, você faz parte, como eu, da bendita matéria universal, e daqui posso te alcançar nas lonjuras do Alasca. Seja fiel a teu Dick. Não deixe que nenhum outro homem te toque. Não fale com estranhos. Espero que ame teu bebê. Espero que seja um menino. Esse teu marido, assim espero, sempre te tratará bem, porque, se não, meu fantasma o atacará como uma nuvem de negra fumaça, como um gigante insano, e o destroçará nervo por nervo. E não tenha pena do  C.Q. Era preciso escolher entre ele e o  H.H., e era desejável que H.H. existisse pelo menos meses a mais a fim de que você pudesse viver para sempre nas mentes das futuras gerações. Estou pensando em bisões extintos e anjos, no ministério dos pigmentos duradouros, nos sonetos proféticos, no refúgio da arte. Por que essa é a única imortalidade que você e eu podemos partilhar, minha Lolita."



segunda-feira, 14 de maio de 2018

O que achei? Origem, Dan Brown

Eu sou apaixonada pelo Dan Brown e tenho a meta de ler todos os livros dele, faltam poucos e o escolhido da vez foi esse lançamento. 



De onde viemos?
Para onde vamos?
O ex aluno do professor Robert Langdon promete responder essas duas perguntas, em uma apresentação em um Museu escolhido a dedo por ele, entretanto, o professor se vê em uma situação anormal, novamente, quando seu pupilo Edmond Kirsch é assassinado no meio de seu pronunciamento que prometia mudar a vida de todos. 



Robert e Ambra, amiga de Edmond Kirsch e administradora do museu, sentem-se na obrigação de divulgar essa grande descoberta para o mundo, eles não podem deixar que todo o trabalho dele tenha sido em vão. Sendo assim, eles seguem em uma aventura para descobrir a senha de 47 digitos de Edmond Kirsch e para isso eles vão contar com a ajuda de alguém inesperado, criado através da inteligência artificial, Winston vai provar ser extremamente necessário, ainda mais quando Ambra e Robert descobrirem que as mesmas pessoas que silenciaram  Edmond Kirsch estão interessadas em silencia-los também.


O que achei do livro (pode conter spoiler)
Eu amo Dan Brown, amo sua escrita, suas criações e como uma apaixonada por História, amo o enredo dos seus livros, TODOS, e não foi diferente dessa vez. Apesar disso, acho que eu não estava na vibe de ler Dan Brown nesse momento, e a leitura foi um pouco arrastada para mim no começo, do meio para o final foi em um ritmo frenético como sempre, mas o começo foi um pouco difícil. 
Eu amei esse livro (sou suspeita para falar e dificilmente seria uma opinião diferente), o Dan (para os íntimos) escreve muito bem, a narrativa é leve e super bem humorada, com o humor inteligente de sempre, tipico do Robert, eu também gostei muito dos personagens secundários criados para esse livro, todos eles, Ambra é uma mulher forte, independente e foge totalmente do clichê, passei o livro todo odiando o bispo Valdespino para no final me sentir mal (me lembrou o Snape), os personagens são muito bem construídos, entre eles a Monica Martin e o comandante Garza, eu consegui acreditar 100 % na personalidade deles, no que movia cada um. 
O tema desse livro também é muito bom, apesar de ser um conflito antigo, religião e tecnologia, foi apresentado de uma forma muito leve, na medida do possível, e com bons argumentos. 

O livro é excelente, não é o meu preferido do autor, mas é ótimo, eu super recomendo para os apaixonados pelo Dan, mas para quem não leu ainda nenhum outro título do autor não acho que seja a melhor escolha. 
E você, já leu? O que achou?



"A palavra ateu nem deveria existir - continuou Kirsch - Ninguém precisa se identificar como "não astrólogo" ou ''não alquimista". Não temos palavras para pessoas que duvidam que Elvis ainda esteja vivo, nem para pessoas que duvidem que os extraterrestres atravessem a galáxia só para molestar o gado. O ateísmo não é nada mais do que os sons que as pessoas razoáveis fazem na presença de crenças religiosas não injustificadas. "

"O sucesso é a capacidade de ir
   de um fracasso ao outro 
   sem perder o entusiasmo. (Winston Churchill)

- Mais Churchill - disse Langdon, mostrando a placa a Ambra.
- É a citação predileta de Edmond - entoou Winston. - Ele dizia que ela revela a característica mais forte dos computadores.
-Dos computadores? - perguntou Ambra.
- É, os computadores são infinitamente persistentes. Eu posso fracassar bilhões de vezes sem qualquer traço de frustração. Embarco na bilionésima tentativa de resolver um problema com a mesma energia da primeira. Os humanos são conseguem isso."

segunda-feira, 7 de maio de 2018

O que achei? Loves, Simon

Eu assisti "Com Amor, Simon" e amei o filme, ele é lindo, leve e romântico do início ao fim, mas como uma mulher hétero não acho que eu tenha muito com o que contribuir, sendo assim, selecionei os meus trechos preferidos do livro nesse post, espero que gostem.







" - Acho que as pessoas levariam numa boa - diz Martin. - Você devia ser quem você é.
Nem sei por onde começar a responder. Um hétero que mal me conhece está me aconselhando a sair do armário. Sou praticamente obrigado a revirar os olhos."

"- Só vou jogar uma veste de dementador por cima da roupa. Acho que você vai sobreviver. 
  - O que é um dementador? 
  Ah, não dá.
  - Nora, você não é mais minha irmã.
  - Então é alguma coisa de Harry Potter - deduz ela."

"Eu odeio quando as pessoas dizem isso. Eu também me sinto seguro quanto a minha masculinidade. Sentir-se seguro quanto a masculinidade não é a mesma coisa que ser hétero."

"Sinto que preciso fazer um comentário para deixar claro como tudo isso é ridículo. Mas, sabe? Até que é bom não ter que ser tão crítico, pelo menos uma vez na vida. "

mesmo muito irritante que hétero (e branco, diga-se de passagem) seja o normal e que as pessoas que precisam pensar sobre a sua identidade sejam só aquelas que não se encaixam nesse molde. Os héteros deviam mesmo ter que sair do armário, e quanto mais constrangedor fosse, melhor."




"- E quer saber? Você não é ninguém para vir dizer que não é nada de mais. Isso foi uma grande coisa, sim. Essa história era para ser ... Era para ser minha. Sou eu quem devia decidir quando, onde, para quem e como queria sair do armário. - De repente, surge um nó na minha garganta. - Você tirou isso de mim. E ainda colocou Blue no meio? Sério? Você é um merda, Martin. Não quero olhar para a sua cara nunca mais."

"Acho que estou ficando meio cansado de tudo. Estou tentando não deixar que me afete. Eu não  devia ligar se as pessoas idiotas me chamam de uma palavra idiota e não devia ligar para o que as pessoas pensam de mim. Mas sempre ligo."

"Mas a cortina se abre. 
  E eu sigo em frente."

"O que sinto por ele é feito um batimento cardíaco, suave e persistente, por baixo de tudo."




Com amor, Thati.
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